terça-feira, 25 de outubro de 2011

A formação

Sou Licenciado em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

Pela altura em que preenchi o meu formulário de candidatura já se ouviam as histórias do desemprego e fraca "saída", como se diz" que esta área do trabalho tinha. Ignorei. Naquela altura por muito que nos digam isso é difícil acreditar que o inferno está naquele folheto simpático que apresenta as disciplinas simpáticas acompanhadas por imagens de um edifício moderno e de jovens universitários com ar decidido e feliz. É ainda mais difícil acreditar que não há futuro quando gostamos da área de estudo e quando somos considerados bons alunos. Mais tarde começamos a perceber a relatividade deste conceito e a insignificância de uma média de 17 ou 18 no Secundário. Sentia-me bem por entrar no curso que no ano anterior tinha a segunda maior média, é aquele regozijo um bocado presunçoso, principalmente quando te tens como uma pessoa humilde.

Ao contrário de colegas meus que passaram a licenciatura a praguejar contra a constituição do curso eu não me sinto arrependido ou especialmente descontente com a formação que tive. Acho que haviam falhas graves e não me senti especialmente preparado para ser um jornalista ou um profissional da comunicação ou um operador de telemarketing, mas tentava ver sempre o lado bom das coisas e no fundo aprendi coisas bastante interessantes e conheci pessoas simpáticas e inteligentes com quem pude manter conversas em que quase nunca foi referido o estado do tempo.

Na altura em que terminei a licenciatura viviam-se tempos conturbados no ensino superior, processava-se uma revolução bolonhesa. Bolonha era o futuro, a alteração do paradigma e todas as instituições saltaram para este barco da mesma forma que um jornal regional cria um site na internet para depois colocar digitalizações da edição em papel. Uma confusão.

No fim fiquei com uma licenciatura de 4 anos, seja lá o que isso for hoje em dia, e com a possibilidade de ter um Mestrado (dos novos, não dos antigos) se entregar uma tese. Fiz a primeira parte deste processo (2 cadeiras) e a Tese é uma história que fica para outro capítulo.

Quando olho para as minhas habilitações literárias, principalmente quando as observas no PDF do meu Currículo, acho que são insignificantes, comparadas com aquilo que poderá ser considerado impressionante pelo mercado e também em relação a tudo o que passei enquanto as obtive. Ou seja eu não sou aquilo que vejo ali escrito e ando a tentar encontrar uma maneira de mostrar o que sou de outra forma. Acho que continuo a falhar redondamente nisso mas ultimamente tenho tentado uma nova abordagem.

Continuo assim um belo cliché - Um licenciado desempregado. A minha vida é uma linha de montagem onde recebo estes incríveis carimbos até que seja apenas mais um produto carimbado como os restantes. Mas sempre que olhar para uma estatística posso dizer - Olha ali eu na Televisão!

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