quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Mais Um

Não, o facto de estar na mesma posição que uma percentagem significante da população do meu país não serve de consolo. É incomodativo, é triste, asfixiante e frustrante. Mas lá no fundo há sempre alguma esperança, tem de haver, por muito que seja dotado de uma alma fatalista.

É quase poético. Precisamente uma semana após o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho ter apresentado as propostas do mais assustador Orçamento de Estado desde que nasci (e segundo alguns, desde que há democracia ou até antes), eu perdi o meu emprego. Aliás, perdi o emprego no início do mês, o dia 20 de Outubro foi a oficialização da coisa. O dia da limpeza de secretária.

Trabalhava numa empresa e Comunicação e Eventos. No papel, o meu cargo era de Gestor de Conteúdos, mas fiz muito mais que isso, a empresa era pequena e não haviam assim tantos conteúdos para gerir. Trabalhei muito nos eventos, na sua preparação, propostas e na própria execução. Escrevi textos para sites e perfis de redes sociais e apesar de não ganhar muito chegava-me perfeitamente para os gastos, algo que muita gente não pode dizer. Muitos dirão que esta é uma perspectiva miserabilista e espelho de falta de ambição, menos um ponto no meu perfil profissional, sou um preguiçoso no fundo. Calma. Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Sempre procurei melhorar e estive atento às ofertas profissionais, que não abundam e que na maioria dos casos não eram melhores do que aquilo que eu desfrutava. E digo desfrutar porque baseio a minha análise no eixo imaginário que atravessa a remuneração, realização profissional,bem estar e ambiente de trabalho. É complicado ter isto tudo, eu sei, mas nos dias de hoje é fácil sentir-mo-nos infelizes e por isso convém ter em atenção todas estas coisas, pelo menos é o que eu acho, ou achava.

Voltando ao meu velho emprego. A empresa era pequena, o ambiente de trabalho era muito bom e ia a pé para o escritório. Fiz lá um estágio profissional e neste momento terminava no meu segundo contrato a termo de 6 meses. Os motivos da minha dispensa são claros e eu já os descortinava há algum tempo. A empresa estava com dificuldades de tesouraria. Não culpo ninguém, simplesmente era impossível manterem-me na empresa. Desejo toda a sorte do mundo às pessoas que lá deixei porque sei que vão ter dificuldades, a nível do trabalho, com a minha dispensa, mas também e principalmente ao nível da sobrevivência da própria empresa.

Infelizmente, esta história terá pouco de original, bem como a temática deste blogue. Que seja mais uma insignificância que tenta dar algum sentido a isto tudo.

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