quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O Peso (dos anos e da culpa)

Bem, há dois dias que não consigo levantar-me cedo. Isto acontece muito provavelmente pelo cansaço acumulado neste fim-de-semana grande em que também festejei os meus anos.

Festejei como pude e como consegui. Estarmos rodeados das pessoas de quem gostamos e que nos fazem sentir bem ajuda, seja na hora de festejar ou na de desanimar. A celebração dos meus 25 anos foi um pouco destas duas coisas. É impossível deixar de sentir culpa por estar a festejar, a sorrir e a divertir-se quando não temos grandes perspectivas de futuro. E ao contrário do que muitos pensam ou pelo menos escrevem por aí, um desempregado com a minha idade não culpa unicamente o estado das coisas, ou o governo ou a sociedade que não nos garante emprego. Isso é um discurso demagógico que pretende passar uma imagem de irresponsabilidade e imaturidade para a minha geração. À rasca ou não, eu sinto-me culpado por estar aqui. Por várias razões. Por ter deixado escapar oportunidades que hoje poderiam revelar-se mais frutíferas.Por não ter sido o melhor aluno da minha turma. Por não ter tentado fazer mais contactos com uma futura "cunha" em vista. Por não ter entrado noutra faculdade, noutro curso, por não ter escolhido outro agrupamento no secundário. Acreditem, sinto que a minha vida chegou a este ponto única e exclusivamente por minha responsabilidade, e pela minha falta de agilidade no que toca a tomar decisões sábias ou, pelo menos, sensatas.

Por isso foi complicado festejar um aniversário. A constatação de que os anos avançam enquanto a minha vida profissional mais do que estagna, regride.

Mas festejei, e que o próximo ano seja melhor.

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